quarta-feira, 20 de outubro de 2010


SONETO DE FIDELIDADE (Vinicius de Moraes)

De tudo, ao meu amor serei atento
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento.

Quero vivê-lo em cada vão momento
E em louvor hei de espalhar meu canto
E rir meu riso e derramar meu pranto
Ao seu pesar ou seu contentamento.

E assim, quando mais tarde me procure
Quem sabe a morte, angústia de quem vive
Quem sabe a solidão, fim de quem ama

Eu possa me dizer do amor (que tive):
Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure.

DESABAFOS




INTEIRA PRA MIM  (Zélia Duncan / Lucina)

Até aqui metade eu sei que vivi
Metade da minha sorte, metade da minha morte
Metade dos meus sorrisos, metade do que não presta
Metade do que me resta, Pra conseguir mais um tanto
Metade de todo pranto, Já escorreu por aí
Já inundou muito sertão, e metade da minha seca
Já rachou, e já partiu meu coração
Metade ainda não, falta metade de esperança
Metade de alegria, metade ainda criança
Metade eu nem diria, não interessa onde é o fim
Mas que a metade que falta seja inteira pra mim

DESABAFOS

 
 
BICHO DOMÉSTICO (Luís Capucho)
 
Sou bicho doméstico
Não sei me cuidar direito
Não sei ser bravo, não sei ser cruel
Sou pequeno, sou fraco, sou manso
Se não te pegava pela camisa
Se não te levantava do chão
E arrebentava a sua cara
Eu queria partir pra violência
Subir montanhas
Descer a lama da baixaria
Cobras e lagartos
E arrebentar a sua cara
Mas sou bicho doméstico
Rondo camas, casas e pratos de comida
Um dia ainda largo essa vida...
...e dou na sua cara

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

REPAGINADO OU A VOLTA DO BOÊMIO

Cancelei há alguns dias, por falta de acesso e de ideias, meu antigo blog ''Tantas Coisas''. Logo senti a necessidade de criar outro e postar meus simplórios poemas sem me deixar influenciar pela opinião alheia, embora eu acredite que a  mesma seja extramamente necessária. Vou tentar recuperar as entrevistas que fiz com Luís Capucho, Lúcia Santos e Ana Fadigas. Por enquanto, deixo o poema que abre meu primeiro livro que leva o mesmo nome deste blog.


PREFÁCIO
(OU AVISO AOS NAVEGANTES)

Um livro de poemas
não passa
de um livro de poemas